Uma vez comi um pedaço de peixe com espinha.
Ele parecia parado na garganta,
mas falaram que era impressão minha e bem normal
a gente sentir a dor por um tempinho depois que engolisse.
E não adianta beber água, comer pão, massa,
suco. Tem que ser paciente e esperar a sua goela
ficar boa outra vez.
Lembrei desse dia ontem e concluí que muitos
momentos da vida são como essa espinha de peixe.
Você pode adiar, disfarçar e só você, ninguém mais,
sabe o que está preso na sua garganta e o
incômodo que causa. O bom é que como a
espinha, o tempo (e umas boas tossidas) sempre
resolvem.
Você falando comigo, com todos da mesa. E eu aqui, do seu lado, desconcentrado, mexendo no celular.
No bloco de notas do telefone, escrevo um pensamento que eu nem sei se realmente é meu:
No bloco de notas do telefone, escrevo um pensamento que eu nem sei se realmente é meu:
Seu olhar diz tanto que eu mal consigo escutar o que você diz.